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29 junho 2010

Oi é investigada por invasão de privacidade

O Dep. de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça investiga possível invasão de privacidade dos usuários Velox, graças ao uso de uma ferramenta de monitoramento, chamada Webwise.

Em Dezembro de 2009 eu já havia mencionado que a Oi, assim como muitos outros provedores, já praticam invasão de privacidade graças a natureza da tecnologia envolvida no acesso à Internet.

Invasão de Privacidade no Oi Velox para controle de velocidade

É possível, sem instalar qualquer programa nos computadores dos usuários, identificar quais sites os usuários estão acessando. O programa Webwise na verdade é um complemento para cruzar informações. Esta investigação do DPDC deveria se extender a uma análise técnica dos roteadores e servidores utilizados pela Oi, e por outros servidores.

Identificar quais sites são acessados pelo usuário não é difícil para a Oi. Ela já faz isso. Difícil é obter informações como tempo gasto e programas.

*** Atualização ***
Enviei o e-mail abaixo à Sra. Laura Schertel Mendes, coordenadora geral de Supervisão e Controle do DPDC, exigindo que nesta investigação com relação ao uso do software BT Webwise, também fosse feito um trabalho para auditoria dos servidores e roteadores da Oi, assim como de outros provedores que praticam Traffic Shaping.

Bruno Borges Tue, Jun 29, 2010 at 7:26 PM
To: laura.mendes@mj.gov.br
Boa noite Laura,

    Acompanho os movimentos da Oi com relação ao Webwise desde Dezembro de 2009, quando apontei em meu blog que a empresa já praticava invasão de privacidade em seus usuários Velox remotamente, ao identificar em seus servidores/roteadores o conteúdo acessado com o propósito de limitar a velocidade dos usuários. Ao ver o recente anúncio da investigação oficial contra o BT Webwise, gostaria de em primeiro lugar, parabenizar pelo trabalho, e em segundo lugar, pedir que esta investigação não se limitasse somente ao uso do BT Webwise nos computadores dos usuários, mas também a uma auditoria e investigação nos servidores/roteadores da Oi, e de outros provedores de Internet. O motivo é o Traffic Shaping ilegal.

    A técnica de Traffic Shaping praticada pela Oi é invasiva, pois restringe somente conteúdos de vídeos. Não bastasse a invasão nos dados trafegados entre servidores e o computador do cliente para identificar que se trata de vídeos, a Oi ainda pratica ilicitamente, um limite de velocidade para não prejudicar sua má dimensionada infraestrutura. Os planos oferecidos pela empresa não condizem com a sua infraestrutura, além de induzirem usuários a contratarem planos mais caros (e supostamente mais velozes) ao encontrarem lentidão em suas conexões.

    Fica evidente neste vídeo que gravei, que a Oi utiliza técnicas avançadas de Traffic Shaping para dificultar a constatação da prática abusiva de limites de velocidades.

    Assim como a Oi induziu usuários do Velox a instalarem o BT Webwise, ocorre também uma indução à contratação de planos mais velozes para solucionar os problemas de velocidades derivados da prática do Traffic Shaping.

    Gostaria se possível, de alguma forma participar, como cidadão e usuário, destas investigações ou ao menos receber uma confirmação de que haverá algum trabalho para analisar as constatações levantadas por mim neste e-mail.

Atenciosamente,

Bruno blog.brunoborges.com.br
+55 21 76727099

Tchau!

11 maio 2010

Por que testes do Inmetro e Anatel serão inúteis?

A Anatel anunciou hoje que, em parceria com o Inmetro e o CGI.Br farão testes para medição da qualidade da banda larga fixa no país. Os testes estão sendo feitos em 160 residências de consumidores das empresas Oi, NET, Telefônica e GVT. Apesar das boas intenções, está longe de alcançar o objetivo: impulsionar a melhoria no serviço prestado.

Estatísticas insuficientes
O Brasil possui mais de 15 milhões de contratantes de serviço banda larga. Mesmo assim, os testes de medição serão feitos em apenas 160 residências. Isto representa menos que 0,0011%. Esta amostragem é (desculpem a expressão) infinitamente insignificante e não pode ser considerado um teste válido. Se os resultados se mostrarem favoráveis às empresas, elas utilizarão destes dados para afirmar que seus serviços estão de acordo com as exigências do Inmetro e da Anatel. Você concorda?

Não bastasse isso, os testes serão feitos através do SIMET - Sistema de Medição de Tráfego de Última Milha. Este programa realizará testes de velocidade, DNS, ping e outros critérios, e reportar automaticamente todas as informações de volta para o CGI.Br. O programa e a proposta são interessantes, porém os resultados serão duvidosos.

O que realmente importa é a velocidade máxima contratada
Veja os principais critérios técnicos utilizados no teste, para fazermos uma análise posteriormente:


Grandeza
Critério
Disponibilidade
Maior ou igual a 99% (equivalente a 7,2h de interrupção ou menos a cada mês)
Vazão/Velocidade Média
Média maior que 60% da vazão/velocidade máxima contratada
Vazão/Velocidade Instantânea
Valor instantâneo mínimo de 20% da vazão/velocidade máxima contratada
Perda de Pacotes
Perda máxima de 2% (dois por cento) do volume de dados enviados
Tempo para estabelecimento de conectividade IP
Tempo máximo de 1 minuto
Número de tentativas para estabelecimento de conectividade IP
Valor máximo de 2 tentativas

Estes critérios são interessantes, porém podem apresentar resultados facilmente distorcidos ou simplesmente, questionáveis. O principal motivo é que o teste será feito possivelmente com servidores do CGI.Br, como a outra ponta da conexão entre o serviço ADSL contratado. Para representar o nível de desconfiança nos resultados (NDR), considerei uma avaliação de 0 a 5.
  • Disponibilidade
    Para identificar que durante 1 mês o serviço de ADSL foi devidamente oferecido, ininterrupto (maior ou igual a 99%), seria preciso considerar que: a) não faltaria luz; b) não haveria enchentes; c) teria que provar que não houveram incidentes naturais, externos ou adversos à conectividade. 
    NDR - 

  • Vazão/Velocidade Média
    Este critério parece ser inteligente, e razoável, não fosse por um detalhe: as empresas costumam
    limitar a velocidade, com regras inteligentes em seus roteadores, baseadas em tipos de arquivos, ou de qual servidor está sendo obtido. Veja meu post sobre Invasão de Privacidade para Limite de Velocidade, presente no serviço Oi Velox para entender melhor. Resumindo: o teste pode apresentar excelente resultado, mas seus acessos ao YouTube ainda parecerão lentos, e a operadora alegará que a culpa é do canal de streaming.
    NDR - 


  • Vazão/Velocidade Instantânea
    Para iludir o usuário de que a velocidade do seu plano está sendo respeitada, as operadoras geralmente deixam um limite de velocidade maior que o contratado, no inicio das transferências. Este critério será respeitado por todas as operadoras, exceto que por motivos que interessam somente às operadoras. Nesse caso, os resultados não precisam ser questionados, exceto a falta de ética das empresas.
    NDR - 

  • Perda de Pacotes
    Para provar os resultados deste critério, é preciso identificar quem perdeu os pacotes. Se foi o lado que enviava dados ou o lado que recebia. E quem é quem. Não sou especialista em TCP/IP, mas acredito que para identificar que a operadora é a culpada em um alto índice de perda de pacotes, é preciso avaliar outros critérios, como ruído na linha ADSL (não previsto na análise da Anatel). Ainda assim, é provável que estes resultados sejam confiáveis, graças à naturalidade do principal meio de comunicação nos testes: TCP/IP (que garante entrega de pacotes). De certo modo, este teste é desnecessário, para não dizer idiota.
    NDR - 

  • Tempo/Número de tentativas para estabelecimento de conectividade IP
    Outro teste que é difícil de considerar os resultados. Com qual IP será feito o teste? Os da CGI.Br? Ou uma série de servidores espalhados no mundo? Fica difícil de entender os resultados sem melhor clareza no processo e a consequência na melhoria do serviço.
    NDR - 
Qualidade mascarada
Pela forma que os testes serão realizados, fica difícil acreditar nos resultados. Isto pode apresentar uma qualidade mascarada, favorecendo as prestadoras e mantendo a baixa qualidade do serviço prestado. O serviço de banda larga deveria ser fiscalizado de outra forma. O certo é que agentes e técnicos da Anatel deveriam conferir e fiscalizar pessoalmente, os roteadores, backbones e backhauls utilizados na rede brasileira.

Fiscalização presencial
Proibir o uso de regras inteligentes de limites de velocidade, quotas e traffic shaping deveria ser o método utilizado pela Anatel para impulsionar a melhoria nos serviços. Fiscalizar as configurações utilizadas pelas operadoras, que respeitem os planos contratados.

A Anatel deveria fazer escola com a Anvisa, e aprender e entender o que é exigir qualidade de serviço prestado. Mudar o nome para Anvitel já seria um bom começo.

08 dezembro 2009

Oi Velox invade privacidade do usuario

A Oi é muito conhecida pelo seu péssimo atendimento ao cliente, pelos seus planos estranhos e órfãos (você vê o plano na TV, na Internet ou no Jornal, mas ao ligar para contratar, ele não existe) ou pelas rebeldias no mercado (Desbloqueio Total). Tirando este último que sem dúvida foi uma mudança radical na telefonia móvel no Brasil, da Oi nada se salva.

O 3G não funciona; o Oi Fixo é vendido casado com o Velox - proibido por lei mas ignorado pelos tribunais e pela Anatel; o atendimento ao 0800 chega a machucar o cérebro e a propaganda enganosa segue o molde da política brasileira. Uma empresa como a Oi, encontrou no Brasil o melhor mercado para ganhar dinheiro sem investimento.

Fato este comprovado pela incapacidade de a Oi oferecer legitimamente os planos do Oi Velox. Seja de 1, 4 ou 8 Mbps, as velocidades atingidas estão longe de serem as ideias para o preço cobrado e para o plano prometido. E agora, lançam os planos de 14 e de 20 Mbps. Para conseguir oferecer estes planos, a Oi encontrou, no Traffic Shaping, a solução ideal para novos clientes, maior faturamento e zero de investimento.

Os dados coletados pela empresa Ellacoya mostram que 46% de todo o tráfego na Internet hoje é gerado por conteúdo HTTP, principalmente por causa do streaming de serviços de audio e video como YouTube, Vimeo, Last.FM e outros. (fonte).



A consequência disso foi péssima para os clientes dos provedores brasileiros, que querem aumentar seu faturamento, sem investir em infra-estrutura. A solução pareceu óbvia: controlar o consumo de conteúdo pesado (video). Para isso, a infra-estrutura atual dos grandes provedores é suficiente: uma regra no roteador e o problema está resolvido. O problema do provedor, em conseguir entregar banda para uma parcela dos clientes: os novos clientes.

Clientes antigos sofrem com o controle de banda. A regra tem sido aplicada a usuários antigos, usuários com uso diário da banda, e usuários com perfis pesados (video streaming, audio, downloads). Isto para garantir que os novos clientes não abandonem o serviço, e ainda invistam nos planos mais caros.

A Oi desta forma está invadindo a privacidade destes usuários. Ao analisar o conteúdo dos arquivos sendo trafegados para poder impôr limite, a empresa quebra o termo de privacidade que protege o cliente e seus dados trafegados. Invasão de privacidade é crime. Estes clientes estão tendo seus dados monitorados para que o sistema da Oi possa controlar a velocidade, e desta forma resguardar outros clientes. A Oi está privilegiando novos contratos.

Novamente: para que a Oi possa controlar a velocidade de certos tipos de arquivos, é preciso analisar estes arquivos e identificar o seu conteúdo. Se você é cliente Velox, a Oi está invadindo a sua privacidade quando você obtém um arquivo de vídeo e a taxa de transferência fica notavelmente abaixo do plano contratado, mesmo vindo de um servidor potente (como YouTube).

Repare no vídeo abaixo:



Tome uma atitude agora: chame um técnico da Oi, mostre a ele que a Oi limita a velocidade da sua conexão para certos tipos de arquivos, e exija um laudo técnico a respeito.

[]'s
Bruno
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