11 maio 2010

Atitude de Contratante, não de Cliente

O brasileiro tem um problema sério. Quando ele é empregado, prefere ser cliente, do que contratante. Os termos são similares, mas as atitudes são bem diferentes. O contratante avalia opções, avalia custos e a real necessidade do serviço a ser contratado. O brasileiro não sabe o que significa isso. Se ele coloca na cabeça a idéia de "botar" TV a cabo em casa, ele "bota". Se quer botar Sky, Oi TV, NET, Virtua, Velox, qualquer serviço, ele simplesmente bota o pacote que se encaixar melhor no seu bolso. Ele não contrata. Se o serviço não ficar bom, se tiver danos, ele se submete a ligações de dezenas de minutos, atendimento ruim, paga contas que não deveria, e ainda tem seu nome no SPC.

Contratos entre empresas são completamente diferentes. Eles possuem cláusulas bem específicas. Caso o serviço contratado, da empresa contratada, não for entregue como esperado, o pagamento pelos serviços é adiado, cancelado, ou até mesmo a empresa contratada recebe multas. O governo faz isso e tenho certeza que a Oi, NET, Claro, TIM, Vivo, TVA, Sky, Telefônica, Embratel e muitas outras prestadoras de serviço, quando estão em contrato como contratante, elas possuem esta atitude, exigindo uma prestação de serviço excepcional das empresas contratadas, como as que oferecem manutenção das suas linhas, da empresa que realiza o serviço de help desk, da empresa que faz a limpeza dos seus escritórios, enfim, de todo e qualquer serviço que a empresa contrata.

Veja o caso da empresa X. O contrato que ela realiza com a empresa Y, nunca é igual ao contrato que a mesma empresa X realiza com a empresa Z. Isto não ocorre com os contratos que a empresa X faz com seus "clientes". Neste caso, os contratos são todos iguais, pois seus clientes são... brasileiros trabalhadores. É a "massa", e não seria possível escrever contratos específicos para cada um.

Isso não significa que você tem que aceitar esse contrato. Na verdade, você é que decide se o contrato vai ser realizado ou não. É você que possui esse poder. É o seu dinheiro que vai ser reduzido, e o da contratada aumentado. Porém, o brasileiro não sabe o que é ser contratante.

A atitude do brasileiro precisa mudar.
Está na hora de o brasileiro controlar melhor a sua vida. Decidir o que é e não é essencial na sua vida. Deixar de contratar serviços de baixa, ou nenhuma, qualidade. Contratar serviços de qualidade. Trocar de fornecedor quando achar que o atual não está mais entregando o serviço esperado. Está na hora do brasileiro deixar de ser cliente e submisso. Está na hora do brasileiro ser CONTRATANTE. (sim, igual nos contratos que você lê).

Quando você é CONTRATANTE, você tem o direito de reclamar, de exigir qualidade, de pagar somente quando achar que o serviço contratado está sendo devidamente entregue. É quando a CONTRATADA é submissa a você, pois é do seu dinheiro que ela precisa. Você não precisa realmente de TV a Cabo, precisa? Vai morrer se ficar sem? Então coloque na sua cabeça: prestadoras de serviços não-essenciais devem ser submissas a você. É você que deve ditar o jogo. Se achar que o serviço está ruim, não aceite conversa, não aceite descontos. CANCELE. Mude de fornecedor, ou fique sem. Não pense duas vezes. Afinal, é o seu dinheiro.

A mudança de atitude do brasileiro começou. Citando o blog do Felipe Morais, "o lucro da NET caiu 62% no primeiro trimestre deste ano, comparado com o período de 2009". Mas ainda é pouco, pois é uma redução no lucro, diferente de prejuízo. A empresa apenas ganhou menos.

Mude sua atitude. Seja contratante de serviços.
Os termos "consumidor" e "cliente" são submissos. O termo CONTRATANTE não. O contrato só existe quando o CONTRATANTE aceita pagar. Pense melhor antes de aceitar, pois você é o CONTRATANTE.
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