30 junho 2008

Cache do Wicket em Cluster: entenda o processo


Muita gente quando descobre que o Wicket guarda tudo na sessão do usuário, rapidamente lança duas perguntas de grande peso:

  1. Guardar tudo no HttpSession não estourará a memória do servidor?
  2. Não ficará lenta a replicação destes objetos entre os nodes de um Cluster?
Para começar, é verdade sim, que o Wicket guarda tudo... tudo... na sessão do usuário. O objeto HttpSession é alimentado a cada click do usuário com as instâncias das páginas (e toooodas as suas versões anteriores - Suporte Backbutton), assim como os dados destas páginas, de formulários, estados de componentes (visível, escondido, selecionado, etc) e tantas outras informações forem necessárias. Mas, não se preocupe. Assim como o Garbage Collector se encarrega de cuidar da memória da VM, o Wicket (>= 1.3) se encarrega de cuidar da sua "memória". Para isso, existe o DiskPageStore.

Antes de continuar, explicarei agora os motivos que levam o Wicket a funcionar desta forma (enxer a memória). Se você já sabe, então pule dois parágrafos. :-)

O Wicket armazena na HttpSession as instâncias da página primeiramente para que quando você, desenvolvedor, construir uma página ou um componente, sinta-se num ambiente verdadeiramente Orientado a Objetos. Diferentemente dos frameworks action-based, aqui é possível manter referências de objetos, variáveis locais e de instância, declaradas sem qualquer problema pois quando o usuário clicar, o objeto que receberá o evento, é o mesmo que foi criado no início. Ótimo não? Sem dúvida! Não precisa-se saber de "parâmetro do request" ou qualquer outra tranqueira Web. É Swing-like, Java puro, POJOs e até parece desktop de verdade.

Pois bem, com os objetos na HttpSession, foi possível implementar algo ainda mais bacana: suporte ao backbutton do browser. Cada vez que o usuário submete alguma coisa a um componente, o estado deste componente é guardado na Session, como uma versão. É como se fosse feito um snapshot. Se o usuário clicar em voltar, e submeter alguma coisa novamente, o Wicket tem como saber que alguma coisa ali está diferente e poderá evitar problemas como submissão duplicada de registro, ou atualização indevida de dados já existentes. Maravilha!

E então você pensa: "que ótimo, Wicket me dá várias funcionalidades a troco de uma sessão de 15Megabytes por usuário". É verdade que se não houver um cuidado, a sessão pode explodir sim. Aqui vão algumas regras então para minimizar os riscos de uma HttpSession Shrek:
Como funciona o SecondLevelCacheSessionStore?
Agora, a parte que nos interessa: Wicket's Garbage Collector!

O "lixo" que o Wicket precisa remover é basicamente, versões antigas das páginas/componentes criados pela navegação do usuário no site. É possível, mas pouco provável, que o usuário clique num Voltar e tente fazer algo. Por isso o framework elimina versões muito antigas (o padrão é manter somente as últimas 5 em deployment mode). Mas e se o desenvolvedor quiser armazenar mais versões, sem comprometer a memória do servidor, e conseqüentemente proteger sua aplicação de ataques Denial of Service? Para isso serve o SecondLevelCacheSessionStore.

Sua utilização depende do arquiteto do sistema em definir no Application do Wicket, que o framework deve utilizá-lo. Porém, antes de apresentar o código, vamos entender como os objetos são persistidos. A persistência é feita por algum objeto que implementa a interface IPageStore. Este objeto será responsável por persistir - storePage() - seja em banco de dados, arquivo flat ou qualquer outro meio, os objetos que o framework considerar não mais necessários na sessão, ou quando o usuário precisa ver algum dado mantido em versão anterior de algum componente - getPage().

A implementação padrão para a interface IPageStore, é a classe DiskPageStore. Nela, ocorre o processo de serializar as páginas e toda a árvore de objetos ali contida, para posteriormente salvar no disco do servidor. Problema de memória gigante resolvido! Mas... pera. Você possui um cluster? Hmm... Será que o Wicket vai funcionar sem problemas ali? Se ele arquivar as páginas no disco de um servidor, o que acontecerá em outro nó do cluster?!

Wicket em ambiente Clusterizado
A grande sacada...

Serialização é um processo complicado e lento. Não falei antes, mas é importante lembrar que todos os objetos que ficarem na HttpSession, devem implementar Serializable. Isto é importantíssimo; se houver um não serializável, o Wicket vai gritar no log. Agora, se tudo correr bem, os objetos serão serializados e persistidos no disco pelo objeto DiskPageStore, estando o aplicativo Wicket em cluster ou não.

Num ambiente Cluster regular - que segue os padrões das configurações simples e funcionais (ex: Tomcat em Cluster) - o framework inteligentemente coloca as páginas já serializadas no processo de replicação, para que quando o objeto HttpSession chegar no outro nó, não há perda de processamento em realizar a tarefa de serialização duas vezes. As páginas também não são de-serializadas; vão direto para o DiskPageStore que as armazena para uso futuro, se necessário. Este mecanismo é o que garante a performance do framework neste tipo de deploy.

Espero poder ter desmistificado agora a idéia de que Wicket estoura com a memória dos servidores, nem tão pouco que não suporta ambientes clusterizados.

Hands-On: Configurar a aplicação para utilizar SecondLevelCacheSessionStore
Mão na massa...

Para encerrar, veja como é simples configurar o SecondLevelCache com o DiskPageStore:
public class MyApp extends WebApplication {
   @Override
   protected ISessionStore newSessionStore() {
      return new SecondLevelCacheSessionStore(this, new DiskPageStore());
   }
}
E agora, que tal? É fácil ou não é?! :-D

PS: o Anjo Negro ataca novamente... desta vez, com gol de letra!

[]'s!
Postar um comentário
Contato

Email:bruno.borges(at)gmail.com

LinkedIn: www.linkedin.com/in/brunocborges
Twitter: www.twitter.com/brunoborges
Comprei e Não Vou
Rio de Janeiro, RJ Brasil
Oracle
São Paulo, SP Brasil