01 junho 2008

Orkut de verdade: CouchSurfing

Observe a imagem ao lado, que roubei na maior cara de pau do album de um membro do CouchSurfing. O texto:
"Be not inhospitable to strangers lest they be angels in disguise"
É o que disse George Whitman a algum tempo atrás. George é o dono da livraria Shakespeare & Co em Paris, França. O significado da frase é melhor traduzido desta forma:
"Não seja inóspito para estranhos sob pena de serem anjos disfarçados"
Apesar desta filosofia já fazer parte da minha vida, pude compreender melhor a visão de George ao ler mais sobre a sua vida numa entrevista com o próprio. Na sua loja ele oferecia hospedagem a viajantes, poetas, artistas e todo o tipo de estranho que ali batia a porta. Em troca ele pedia algumas horas de ajuda na limpeza e organização da livraria e aos domingos ainda oferecia um belo café da manhã com panquecas e outras iguarias da culinária francesa. Não consigo discordar do modo como George vive (ou vivia - ainda não achei informação na Internet se ele já faleceu). Ele deposita nas pessoas total confiança e as convida para passarem a noite, ou a ficarem para o jantar, como se fossem velhos amigos. Ora, tem coisa melhor do que poder passar o tempo com um total estranho e saber que "existe vida lá fora"? Saber das suas histórias, ou poder compartilhar as suas próprias? Talvez aprender um novo idioma ou conhecer mais sobre outro país, outra cidade. Ou vai dizer que você nunca se questionou ao andar pelas ruas da sua cidade, ao olhar para algum estranho, para onde aquela pessoa está indo, de onde veio ou o que faz à noite na sua casa? Acredito que todos possuem um certo interesse pela vida dos outros (é o que dá audiência às novelas!), mas a verdade é que temos medo de estranhos. E é neste momento que devemo-nos todos lembrar: eles podem ser anjos disfarçados.

O Orkut pergunta a você: "Who do you know?". E você começa então a ir atrás de todos os seus amigos, colegas de trabalho ou até mesmo pessoas com quem você apenas trocou umas palavras no bar, na balada. A meu ver, o que muitas pessoas buscam no Orkut é apenas aumentar o número de "amigos" até ter a necessidade de criar um segundo profile. Me pergunto o que essas pessoas ganham com isso. Ter um registro numa rede social das pessoas que eu conheço, definitivamente não me agrega valor nenhum, somente um informativo virtual para marketizar aos outros "quem você conhece". Bem, as que realmente valem a pena eu ter contato, pode ter certeza: estão na agenda do meu celular ou na lista de contatos do meu e-mail. O que seria uma rede social de verdade então? Uma onde você terá troca cultural, experiências de vida, conhecerá gente de diversas etnias, uma onde há um objetivo real e tangível. Acredite, esta era a intenção do Sr. Whitman ao abrir a sua porta para estranhos. Não a porta da sua loja, mas a porta da sua vida.

E é graças a filosofia do excêntrico George Whitman que o Projeto CouchSurfing surgiu. Casey Fenton, o fundador do projeto, faria uma viagem à Islândia mas não queria ficar no hotel ou albergue sem o que fazer, sem com quem conversar ou alguém para apresentá-lo ao país. Ora, idéia brilhante não foi descolar uma lista de estudantes e enviar um e-mail a muitos deles perguntando: "Estou indo ae, posso dormir na sua casa?". Surpreso foi ao receber diversas respostas "claro!" e difícil então foi escolher onde ficar. Sorte a do Casey que existem pessoas lá fora como o grande Sr. Whitman. E então nasceu a idéia de Casey Fenton, juntamente com a filosofia de George Whitman. Seja como eles: ofereça um lugar para um total estranho ou procure um total estranho para hospedá-lo numa viagem.

Enquanto o Orkut pergunta "Who do you know?", o CouchSurfing é muito mais poético, verdadeiro, convidativo e caloroso: "Got Couch?". E o legal é que não é apenas para viajantes. Nos grupos locais é possível encontrar CouchSurfers marcando algum encontro num bar, restaurante, balada ou mesmo uma festa do pijama. Me encontrei com a turma de São Paulo a um tempo atrás, antes de vir para o Rio de Janeiro, onde conheci pessoas como o Alberto, a Vanessa, Tiago, Airton e muitos outros. Na ocasião um dos presentes levou dois israelenses. Ao chegar no Rio de Janeiro não hesitei quando surgiu um encontro dos CouchSurfers daqui. Anunciei minha participação e fui o primeiro a chegar. Alguns minutos depois o pessoal começou a aparecer. Estrangeiros e brasileiros, todos sentados à mesa, compartilhando histórias, opiniões e cultura. Alguns estrangeiros queriam aprender português, outros brasileiros (como eu) queriam praticar o inglês. A experiência não poderia ter sido melhor.

E é isto que torna o CouchSurfing uma rede social de verdade. Mas se você quiser conhecer mais sobre o projeto, assista a entrevista que o Alberto (embaixador do CouchSurfing em São Paulo) deu ao programa Urbano, do Multishow.



E você não precisa ir longe para encontrar alguém disposto a hospedá-lo por um tempo. No Brasil já são mais de 12 mil CSers (CouchSurfers). É possível que haja algum na sua cidade. Vai viajar pelo Brasil? Procure alguém! Nada como chegar numa cidade nova e ter alguém prestativo ao seu lado para mostrar-lhe a cidade da vista de um local. Nada de guias turísticos ou mapas para se atrapalhar. Procure no site e encontrará alguém disposto a acompanhá-lo durante a visita aos pontos turísticos, ou até mesmo poder levá-lo a lugares desconhecidos, presentes somente no mapa do povo local.

Se vier para o Rio de Janeiro, entre em contato. Estarei disposto a abrir minha porta com a confiança de um irmão e oferecer a melhor hospitalidade que posso dar. CouchSurfing não é apenas hospedagem, é experiência de vida!

[]'s!
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